terça-feira, 26 de abril de 2011

Cantiga

(Léo Haua)

Quero sabiar o seu caminhar,
Com cantigas de alvorecer.

Trazendo girassóis em revoada,
Fazendo quem é dono temer.

Liberdade e euforia pelo novo
Brilharão em seus olhos,

Escorrerão de sua boca
E eu, em alma e corpo,

Prantos e risos,
Saciar-me-ei.

Amor Militante


(Léo Haua)
Sentindo o cheiro que me encanta,
Do nosso suor em seu pescoço.

Rebelo-me contra tirania!

Onde for e irei
Encontrarei sua bandeira vermelha

Em tempos noturnos
Brincamos de estrelas

NESSE ASSENTO, NOSSO LUGAR...


(Léo Haua)
Quero sentar ao seu lado,
Observar como tudo rápido gira
Entregar-lhe minha mão
Para que derrame sua aflição

Respira, acalma, apazigua.
Nesse assento, nosso lugar,
Não é espaço de batalhas,
Deite em silêncio suas dúvidas em meu colo

Levantaremos quando estivermos prontos
Voltaremos a cada suspiro de cansaço ou prazer.
Não teremos, é verdade, sempre o mesmo ritmo.
Mas a razão supera o instinto,
Sem moralismo o verbo se faz canção.

Não confio no destino,
Mas nos desafios e no nosso alvorecer.
Meus passos acompanham e compõem seu horizonte
Seus olhos o meu amanhecer.

Na poeira púrpura da estrada,
No raio de Sol dos meus olhos
Ou simplesmente no sofá da sala
Será sempre um assento para dois.

O Eco, a Sombra e as Estrelas

(Marcelo Campello)
Pouco tempo resta pra decidir a rota: - Capitão!!
Gritam: - Faz chorar a pedra! Essa é a tarefa!
Ampulheta que fratura a hora e dilacera a pressa!
Eis minh’obra dedicada à idade e a multidão!

Vendo a memória, ninguém se interessa!
A cidade que ergo em meu verbo! Dédalo
Rasgando cada projeto e um beijo do objeto!
Resta uma dança para a despedida. Valso!

O anel ao dedo médio da menina mais sincera!
A escala domestica a fera, e meu lenço se encharca
de lembrança... Iço as velas, mordo as rédeas!

Encilharam meu cavalo, e meu nome vai bordado
Na bandeira hasteada, e meu eco acompanha o vento
Dorme a sombra, o instinto decidido berra: - Fica!

FANTASIA MIGRANTE


(Marcelo Campello)

Ponganle ojos cumpadres!
Diz ser corsário! Não creio...
Tem ar de delírio e amores
Nas margens do devaneio.

Tomem cuidado! É certo
Sua alma de profeta e o cajado
Vai rijo à mão esquerda... Profano
Diz ser cigano e fuma cigarro

Como um poeta, diz que vicia
Sua palavra imita a magia,
Grafia homeopática. Vigia!
E lê nos astros nosso destino!

Diz ter origem no Ganges
Que vem pra lá do Himalaia...
Cuidado! Fez um castelo do verbo
De verso fez a Cidadela...

Como um inseto, transmuta
E nutre-se como uma epífita
Crisálida sem casulo, caverna!
O fato concreto revela: é desempregado e migra!

PEDRA DE CHAMA


(Léo Haua)
Faz tempo caminho,
Com essa pedra de sol em meu bolso.

Não é brasa! É pedra de chama!
É pedra de chamar.

Mas na velocidade dos carros,
Das botinas, dos congas,

Minha pedra que chama,
Vive de poucas respostas,
Mas queima.

Apresento com calma,
Ela bonita, tem poder de encantamentos.
Deixo que a toquem.

Brinquem com ela!
Atirem!
Até que nasça uma em seu bolso.

Uns plantam árvores,
Querem para hoje
O que perdure

Uns querem flores,
E que a alegria
Faça – se luz e clareie

Eu, mas não só eu,
Quero um arsenal de pedras de chama.
Que alegrem milhares de meninos

Perpétuo será nosso lançar,
Contra tudo que edifique,fixe-se.
E serão tantas que mais de um Sol brilhará!

Onde temo a razão



(Léo Haua)
Quero o mais escuro da Gruta,
Onde temo a razão.

De raio e espada
Romperei a morada da surpresa.

Vou mastigando a própria carne
Para fortalecer-me.

Enfrentar-me no mais antagônico,
No mais espinhoso e colorido.

Onde feras e anjos se ferem e se amam,
E meus demônios sorriem.

Enquanto meu corpo entrega flores
E compõe combates

Voe Ícaro


(Léo Haua)
Voe Ícaro!

Semeando em asfaltos mortos
Imagens de vida.

Retratos em deformadas molduras,
Não desfiguram sua beleza

Voe Ícaro!

Dance com cabelos esvoaçados,
Lançando margaridas

Dance leve com seus mil pés,
A caminho do Sol

Voe Ícaro!

ENVERGADURA DO INVERNO



(Léo Haua)
Envergadura do inverno
Sobre sua primavera.

Lançou-se o medo!

Cavalgarei com mil sorrisos,
Sobre o crânio de seu medo

Lançarei meu desafio
Na estrela dos seus encantos,

E arrancarei sorrisos,
Do que lhe detêm.

Seremos livres, líricos, lírios.

sábado, 23 de abril de 2011

O TEMPO DOS GIRASSÓIS FLORIREM


(Léo Haua)
Procuro meus versos
Nas imagens em que me perdi.
Encontro o medo flertando meus anseios.

O impulso e os instintos aflitos aguardam....
O olhar busca o abrigo no mais perto

Os sentimentos como um sopro leve,
Repetem que sou livre,

Que um jardim em cada porta,
E um beijo em cada boca brotarão

Na primavera da humanidade,
No tempo dos girassóis florirem.